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Celebrando a nossa liberdade

por Samyr Traad
 
5 de abril de 2017
 

É muito fácil perceber que a Páscoa está se aproximando. Basta entrar em uma loja de varejo qualquer. Pouco mais de um mês antes da data, esses estabelecimentos já se encontram com seus corredores e tetos abarrotados de ovos de chocolate. A Páscoa, hoje, é um dos períodos do ano de grandes vendas no comércio. Também é a época em que crianças e adultos comem chocolate à vontade, sem peso na consciência. Essas coisas, entretanto, não têm nenhuma relação com as origens da Páscoa e apontam para um esvaziamento de seu verdadeiro significado.

As origens da Páscoa se encontram no Antigo Testamento da Bíblia Sagrada, especificamente no livro de Êxodo, nos capítulos 12, 13 e 14. A palavra hebraica correspondente é pessach, que significa “passagem”. Essa passagem faz referência à transição da comunidade de Israel de escravos do Egito para uma nação livre. Isso se deu de forma definitiva na travessia do Mar Vermelho quando Israel atravessou o leito do mar a pés enxutos. O faraó e seus exércitos foram mortos pelas águas.

A passagem, contudo, foi antecedida por uma cerimônia que passaria a marcar o início do calendário judaico, comemorada no primeiro mês do ano. O Senhor ordenou, por intermédio de Moisés e Arão, que cada família separasse um cordeiro ou um cabrito macho, de um ano e sem defeito. Esse animal deveria ser sacrificado, seu sangue passado nas laterais e nas vigas superiores das portas das casas; sua carne deveria ser passada no fogo e comida com ervas amargas e pães sem fermento, sem nada sobrar e até a manhã seguinte; o que sobrasse deveria ser queimado.

Na ocasião da primeira Páscoa, em que a comunidade de Israel ainda era escrava dos egípcios, aconteceu a última das dez pragas que o Senhor enviou sobre eles: a morte dos primogênitos. Todos os primogênitos do Egito foram mortos, com exceção daqueles que tinham sua casa marcada pelo sangue. Foi uma noite de dor e choro para os egípcios e de libertação e alívio para os israelitas. Após esse duro golpe, o faraó decidiu deixar a comunidade de Israel partir de seus domínios.

Libertação da morte e da escravidão é o significado da Páscoa Judaica. Isso foi confirmado e autenticado na Páscoa Cristã com a morte e a ressurreição de Jesus de Nazaré. Não foi por mera coincidência que a Paixão de Cristo se deu no período da Páscoa Judaica. Deus Pai queria mostrar aos judeus, gentios e ao mundo que a morte do Cristo correspondia ao sacrifício do cordeiro ou do cabrito. Assim como o sangue dos animais livrou os israelitas da morte e abriu caminho para sua libertação da opressão egípcia, o sangue de Jesus livrou toda a humanidade da morte espiritual e da escravidão a Satanás e ao pecado. A libertação não é mais apenas física, política e econômica, mas espiritual, existencial e psicológica.

Portanto, libertação da morte e da escravidão é o significado das Páscoas Judaica e Cristã. É o que deve ser comemorado nessa data pelos que creem em Jesus Cristo, estão cobertos pelo seu sangue e têm recebido seus benefícios. Esta é a grande razão da festa! O que ovos de chocolate e coelhos têm a ver com isso? A resposta fica para uma próxima oportunidade.