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Tribos indígenas: um desafio missionário

por Daniela Oliveira
 
12 de novembro de 2013
 

O que vem à sua mente quando você pensa sobre povo indígena? Bárbaro, primitivo, inocente, corajoso ou o “bom selvagem”? Todas essas características foram temas de nossa literatura desde a colonização e constam em nossos livros didáticos até hoje. Passados tantos séculos, a realidade é que não conhecemos os verdadeiros donos da “Terra Brasilis”.

Como os árabes, chineses, somalis, bascos e outros, os índios são povos com uma visão bem diferente, não só sobre a relação entre cultura e natureza, mas também sobre o desenvolvimento da cultura humana. É o momento de atualizar nossa mente e parar de avaliar os indígenas de acordo com nossos padrões e valores sob a ótica etnocêntrica. Afinal, não podemos esquecer que eles marcaram a formação do povo brasileiro e necessitam de Deus tanto quanto nós.

A população indígena em nosso país chega a 616 mil pessoas, atualmente: 52% habitam nas aldeias e 48% em regiões urbanizadas ou em processo de urbanização. Ao todo, são 340 grupos étnicos: 121 conhecem pouco ou quase nada do evangelho, e 95 nunca ouviram falar de Jesus.

“As tribos estão espalhadas por todo o Brasil. Há algumas isoladas no Amazonas, mas existem outras concentradas na região Nordeste que, às vezes, nem falam mais a língua de origem; têm até acesso facilitado, porém faltam obreiros. Por isso é necessário a conscientização urgente de se enviar missionários para essas tribos”, alerta Paulo Bottrel, pastor de missões da Central.

Dentre os 33 missionários que a Central apoia integral ou parcialmente, 11 trabalham com os indígenas. Os desafios na área são muitos e vão além das palavras. É preciso, antes de tudo, entender e valorizar o homem e suas culturas milenares levando em conta a realidade étnica, diversidade sociocultural e linguística de cada povo. Por isso é urgente e imprescindível a capacitação e treinamento intensos de homens e mulheres que desejam ultrapassar barreiras e levar a Palavra de Deus até essas pessoas.

“A transculturalidade é a nossa maior dificuldade no campo. Primeiro, precisamos aprender a visão de mundo que eles têm para saber como comunicar o evangelho. Além disso, há muitas tribos que não falam português, como os Maxakalis. Esse tipo de língua é bem complexo. Estudar antropologia cultural se torna essencial para que os missionários saibam valorizar e manter a cultura.”, explica o pastor.

De acordo com o Departamento de Assuntos Indígenas, AMTB, para atender a demanda na evangelização das 95 tribos que ainda não foram alcançadas – é necessário o envio de, no mínimo, 500 novos missionários. Além disso, há a necessidade de recursos humanos para reforçar o trabalho já iniciado em algumas tribos.

A Central está empenhada em alcançar essas vidas e, por isso investe no treinamento de seus vocacionados por meio do curso avançado de missões do CCM, viagens missionárias, envolvimento em missões urbanas, e em casos especiais, estudo antropológico e linguístico. Para isso, a igreja trabalha em conjunto com organizações missionárias como o grupo Desafios de Minas, o Conselho de Pastores e Líderes Evangélicos Indígenas, CONPLEI, e a Missão Amém, que também auxiliam no cuidado com os missionários.

Você sente no seu coração um desejo ardente de ser missionário e quer saber tudo sobre missões indígenas? Então, a Conferência de Missões – Tribos Indígenas – é para você. Sinta-se convocado a fazer parte dela. Marque já na sua agenda: 23 e 24 de novembro, na IBC2. Na programação, ministrações de Eli Ticuna.

Fonte: Departamento de Assuntos Indígenas – AMTB – Missões Nacionais

Por que decidi ser missionária em tribos indígenas

Sandra Zeferino é dentista e leva o evangelho integral associado ao programa de promoção de saúde bucal a tribos indígenas

Ser missionária em tribos indígenas sempre foi um desejo muito forte que ardia dentro de mim, mesmo antes da minha conversão, há cinco anos. Vejo os indígenas como “pais” da nossa nação, primeiros habitantes da “Terra Brasilis.” Acredito que devemos honrar esse povo, da mesma forma que a Palavra de Deus nos ensina a honrar pai e mãe, em Êxodo 20.12. O índio hoje está sendo espremido e empurrado para as bordas da terra que um dia já foi sua, por políticas latifundiárias de grandes donos de terras, em uma realidade de injustiça social. E sabemos que por trás de tudo há uma intensa luta espiritual sendo travada. Eles precisam ser honrados com a nossa compaixão, oração e ação.