Cristo não morreu só por você!
4 de novembro de 2017
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Cristo não morreu só por você!
4 de novembro de 2017
Por: Colaborador IBCBH

“E pela tua ciência perecerá o irmão fraco, pelo qual Cristo morreu.” (1 Coríntios 8.11)

A segunda parte desse versículo me chamou muito a atenção: “pelo qual – ‘o irmão fraco’ – Cristo morreu.” Não sei se já aconteceu com você, mas eu já tive preguiça de reestabeler algumas relações, já desanimei mesmo de algumas pessoas, tive preguiça de alguns grupos. Com isso quis ou passei a evitar algumas pessoas; já fiz julgamentos pelos quais me arrependi; já coloquei muitas vezes o dedo na ferida em vez de abrir os braços para consolar o enfermo. Eu me esqueci tantas vezes que Jesus, o Cristo crucificado, não morreu – e ressuscitou – apenas por mim. Nessas ocasiões me senti a última água com gás, gelo e limão do deserto tamanha a minha arrogância e ignorância.

Mas esse versículo, se refletido com um pouco mais de calma, nos leva a pensar sobre o fato de que Jesus morreu por mim (com todos os meus defeitos, fraquezas, pecados, erros…), por você que está lendo (e também sabe dos seus); pela nossa família (mesmo por aquele pai ou mãe ausentes); pelos nossos vizinhos (até os barulhentos ou com gosto musical duvidoso); pelos nossos parentes (inclusive aqueles que fazem piadinhas sem graça); pelos nossos amigos (até aqueles que esquecem nosso aniversário); pelos nossos inimigos (sim, isso mesmo, você leu certinho, por eles também); ele morreu por todos, sem acepção de pessoas, sem escolher os mais bonitinhos, bonzinhos, que pagam as contas em dia, tiram boas notas ou são regulares na atividade física.

Pelo contrário, Ele despojou-se da Sua glória, o Verbo se fez carne, habitou entre nós, viveu, morreu, viveu de novo – e para sempre – por ‘serhumaninhos’ tão complicados, pecadores e problemáticos como cada um de nós somos. E porque Ele sendo Deus – que podia ter resolvido isso de tantas maneiras – habitou entre nós, peregrinou sobre a Terra, reuniu multidões, operou curas, milagres e maravilhas no meio do povo? Para se relacionar. Para andar junto. Para estar junto. Para fazer junto. Para nos dar esse exemplo, deixar esse legado de amor ao próximo, de comunhão. Por que nós, então, queremos nos isolar? Por que não queremos ter comunhão com as pessoas? Por que nos afastamos? Porque o amor está se esfriando dos nossos corações, porque muitas vezes achamos que nos bastamos, porque nos consideramos melhores.

Quando obedecemos a Deus e seguimos o exemplo de Jesus ao se relacionar com o outro, ampliamos a tenda da misericórdia, estendemos para o próximo o manto protetor que nos protegeu da nossa própria culpa: o sangue de Jesus. Concedemos ao outro a ciência dessa mesma maravilhosa graça. A comunhão nos lembra cotidianamente – tanto nos momentos de alegria como nos de atrito, de crescimento, de dor etc – que Cristo também morreu pelo meu irmão (fraco, forte, rico, pobre, branco, negro….). O irmão que vigia a portaria do prédio; a irmã que limpa o pátio da igreja; o irmão que trabalha comigo; a irmã que recolhe o lixo da igreja; o irmão que me fechou no trânsito; a irmã que está mais magra, bonita, jovem e inteligente que eu… os irmãos que sofrem; os que são bonificados; os que se doam; as que perecem; os que são premiados… Ele morreu por mim, por você, por eles… Se isso não for motivo suficiente pra gente querer gostar de gente; pra gente querer saltar da redoma que criamos ou que criaram ao redor de nós; pra gente querer sair da caixa e andar junto com gente, irmãos, gente que nem a gente, não sei o que mais pode ser. Não somos a última água com gás do deserto. Somos filhos, somos irmãos, e se vivermos crendo que Deus é a nossa fonte e com essa consciência fraterna que nos aproxima do outro, do nosso interior sairão rios de águas vivas (João 7.38). Essas águas não cessam nem com crise hídrica, elas nos tornam um jardim regado, como um manancial cujas águas nunca faltam (Isaías 58.11).

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